Antes ela do que eu?

Wired Agosto/2010

Terra da liberdade, lar dos empreendedores ou terra de ninguém, casa dos especuladores ávidos por uma nova bolha. Ou os dois. A Wired anunciou há um ano que a web está morta. Vale aqui um parêntesis para diferenciar o que é chamado de web e internet. Web – páginas visualizadas no browser. Internet – tudo o que é dado trafegado pela rede. Ou seja, na opinião de trafegamos cada vez mais (+ internet!) e visitamos menos páginas (- web).

Chris Andersen (What?/O que?) e Michael Wolff (Why?/Porque?) partem do principio de que “tá lá o corpo estendido no chão” e partem para uma explicação/reflexão sobre os motivos que nos trouxeram até a cena do crime (sim, tal qual um expresso do oriente todos somos suspeitos).
Se você curte por romances policiais ou series CSI style sabe que a policia – pelo menos na ficção – procura o assassino por motivo e oportunidade. Então quem matou nossa Odete Roitman? Segundo o editor da Wired, nós e eles. Nós usuários quando passamos a nos dispor a pagar um pequenos preço para usar ferramentas que realmente funcionam seja em apps para telefone, redes sociais, iTunes e afins. Eles quando não criaram um modelo de negócios saudável com a liberdade que tinham a disposição. O modelo de negócio que funcionou ou cobra um preço pequeno ou nossa privacidade. Quem foi o principal artífice desse modelo de negócios? Steve Jobs.

Se vc é um dos detratores, foi mal aí mas o cara inventou um modelo de negócios (que funciona!) para vender música na web. Quem não lembra da luta do Metallica contra o Napster? E de quebra a mais bem sucedida app store do mundo. Com a morte recente de Jobs tivemos as mais variadas reações. Desde os amantes ultra xiitas choraram como se fosse um ente querido aos rebeldes sem causa que amaldiçoaram o legado protecionista do falecido (as vezes nem isso, só reclamaram por reclamar). Das declarações emocionadas de Steve Wozniak (parceiro na fundação da Apple) as críticas de Richard Stallman (ativista defensor do software livre). Queira você ou não, ame ou odeie ele foi o mentor intelectual do maior (em volume e sucesso) sistema fechado da rede.

A pergunta é: você usuário é capaz de dizer que valeu a pena? Dava pra (indústria) ter feito melhor? A sua privacidade na web vale singles a US$ 1,99? Nós (consumidores) nos vendemos barato?

Um adendo: No dia 3 de outubro a “Suprema Corte, nos Estados Unidos, decidiu que baixar uma música da internet não equivale a exibir essa mesma música em público.” O que quer dizer isso? Que o sujeito que baixa música pra ouvir em casa não está sujeito as mesmas sanções legais que o sujeito que exibe uma obra privada em público (e lucra com isso). Ou seja, nada de processar o Joãozinho de Palmas que baixou uma música do Calypso e duas do Metallica a pagar US$ 3,4 milhões de indenização. E aí, o modelo se fortalece? Ou não?

Ahhh.. para encerrar um comentário nada a ver: quando escrevi a maior parte desse post (há um ano e pouco atrás) eu estava ouvindo ‘You only live once’ em loop no metrô. Nunca tinha visto o clipe dessa música até hoje. E é interessante.

2 comentários sobre “Antes ela do que eu?

  1. Eu juro que tentei ao máximo não atacar Jobs quando da sua morte… acho até que “reclamar por reclamar” foi a minha forma de respeitar a dor de quem amava o cara.

    Li o texto duas vezes e não achei sua opinião sobre o assunto. Isso foi proposital? Ou eu que perdi o sub-texto?

    1. Não expus minha opinião de propósito. Mas o fato é: o cara lutou pelo ‘fechamento’ da internet mas não é um demônio. Ele ofereceu uma (boa) proposta e a massa aceitou. Culpa da indústria (como a fonográfica) que ficou muito tempo lutando contra o inevitável…
      Além do mais o cara era ótimo pq sempre focou na experiência do cliente. Como era maluco, centralizador e obcecado com os mínimos detalhes, fechou os produtos (hardware e software) para edições de usuário. Mas sempre foi focado no que o cliente precisa, como ele usa, e etc. Pq era bonzinho? Não. Pq ninguém compra um produto pra se sentir idiota e não saber usar. Cliente feliz volta e compra de novo, de novo… e assim, pouco a pouco, criou-se o famoso ‘campo de distorção da realidade’.

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